segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sede




Sede.
A garganta seca.
A voz falha.
Ele murmura.

Sede.
O olhar pede.
O peito salta.
Ele treme.

Sede.
Braços não alcançam.
Pernas não saltam.
Ele oscila.

Sede.
Dedos não seguram.
Pés não sustentam.
Ele cai.


Mas a sede é forte.


A pele.
O cheiro.
Alucina.
Acalma e agita.
Facina.

Olhos focam,
a garganta rosna,
as pernas erguem
e punhos firmam-se
na jugular medida.

Enclina-se.
Belisca.
Mordisca.
Fura.
Fere.
Suga.
Saboreia.
Seca.
Solta.

Mais uma ao chão.
Uma qualquer.
Uma presa.
Uma refeição.

Sede já não tem.
Vira-se e vai.
Destino é a noite.
Escuridão.

Fim.